Maisfutebol
October 13, 2026
A Juventus apresentou um recurso ao Supremo Tribunal de Cassação italiano para contestar a decisão judicial que deu razão a Cristiano Ronaldo no processo relativo a salários não pagos durante a pandemia de covid-19. O clube pretende recuperar os 9,8 milhões de euros que foi obrigado a pagar ao internacional português.
Segundo a Gazetta dello Sport, a informação consta do relatório financeiro da Juventus relativo à temporada 2025/26. O recurso foi formalmente notificado a 27 de março deste ano e aguarda a marcação de uma audiência.
O diferendo remonta a 2021, quando Ronaldo ainda representava a Juventus. Durante a pandemia, o clube chegou a acordo com os jogadores para adiar o pagamento de parte dos salários, numa operação conhecida como «manobra salarial». No caso do português, o valor em causa ascendia a cerca de 19,6 milhões de euros.
O acordo ficou associado à denominada «carta Ronaldo», documento encontrado durante as investigações às contas da Juventus e que previa o pagamento posterior da quantia. O valor não terá sido devidamente registado nas contas do clube e acabou por não ser pago após a transferência do avançado para o Manchester United, no verão de 2021.
Cristiano Ronaldo avançou judicialmente contra a Juventus em setembro de 2023. Em abril de 2024, um tribunal arbitral reconheceu-lhe o direito de receber metade do montante reclamado, cerca de 9,8 milhões de euros, acrescidos de juros e atualização monetária.
A Juventus contestou a decisão, mas o Tribunal do Trabalho de Turim rejeitou o recurso em janeiro de 2026, confirmando a validade da sentença arbitral. O clube ficou, assim, impedido de recuperar os valores já pagos ao jogador.
No relatório financeiro, a Juventus esclareceu que a decisão do tribunal «se limitou a verificar a existência dos vícios formais da sentença arbitral apontados no recurso, não constituindo uma decisão sobre o mérito da questão».
Os «bianconeri» acrescentam que os efeitos financeiros do processo já tinham sido registados nas contas de 2023/24, pelo que «não são esperados impactos negativos no exercício atual nem nos futuros».
A Juventus confirmou ainda que «apresentou recurso de cassação contra a decisão, devidamente notificado em 27 de março de 2026, e aguarda a marcação da audiência».
O novo recurso prolonga um processo judicial iniciado após a saída de Cristiano Ronaldo de Turim. O internacional português, que representou a Juventus entre 2018 e 2021, já obteve duas decisões favoráveis, mas o diferendo permanece sem uma decisão judicial definitiva.
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